quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Conexão Reporte no SBT...


No Rastro Da Intolerância



Noite em São Paulo. De um lado jovens, casais homossexuais se beijam, namoram. Do outro, a intolerância, grupos radicais. Para sentir na pele o preconceito e discriminação aos gays levamos dois atores para testar a reação das pessoas nas ruas. No centro de São Paulo, um casal de atores entra em ação. Muitos se espantam. Alguns curiosos olham e outros riem. Na região é onde se concentra o maior foco dos ataques a homossexuais. Instalamos nossas câmeras em outro ponto para registrar o preconceito das pessoas. Os atores serão xingados, agredidos, atacados. Em poucos minutos no local, os supostos homossexuais viram atração de quem passa por lá. As pessoas gritam. Algumas ameaçam, estão incomodadas. Precisamos sair do local. Os atores são surpreendidos por um ataque. Arremessam do alto uma jaca de uns 2 quilos. Por sorte, ninguém se machuca. Fica claro que, para a sociedade, o homossexualismo ainda não é totalmente aceitável.

Seguimos para Osasco, região metropolitana de São Paulo. Vamos registrar agora como as pessoas reagem diante de um suposto casal de lésbicas. Nossas atrizes estão a postos. Será o mesmo teste feito pela dupla de atores. Afinal, será que existe alguma diferença no tratamento entre homens e mulheres? As mulheres simulam uma intimidade, trocam carícias, se abraçam. Alguns acham graça. Diferentemente do casal de homens, o casal de mulheres é apenas observado por curiosos.


O Conexão Repórter viaja para São João da Boa Vista, no interior paulista. Foi na cidade com pouco mais de setenta mil habitantes, que pai e filho se tornaram as novas vítimas do preconceito e da intolerância contra gays. E o pior: no caso deles, tudo não passou de um grande mal-entendido. Tudo aconteceu numa noite de sexta-feira, quinze de julho. O show sertanejo já havia terminado em um centro de exposições. Na saída, o comerciante João Garrido, de quarenta e dois anos, e o filho Ramón, de dezoito, foram abordados e agredidos por um grupo de jovens. Os dois agressores foram identificados pela polícia. Liberados, eles respondem processo por lesão corporal. 

Novo ataque. Novas vítimas. Dessa vez, na região da Avenida Paulista, centro da capital. Madrugada do dia dois de outubro. O analista Marcos Paulo Villa, de trinta e dois anos, e o namorado Júlio César Piazza, de trinta, estavam numa casa noturna, acompanhados de duas amigas quando dois jovens se aproximaram. O casal caminhou até um posto de combustível, que fica a 300 metros da casa noturna. Neste momento, Marcos e Júlio passaram a ser agredidos pelos jovens. Em seguida, eles fugiram. Marcos e o namorado foram socorridos. O caso foi registrado como lesão corporal. Com base em imagens, gravadas pelo circuito de segurança do posto de combustível, a polícia identificou os agressores. O nome deles: William Cardoso de Lima, vinte e seis anos, e Daniel Vieira, de vinte e cinco. Procurados, os acusados preferiram manter o silêncio.

Desrespeito? Ignorância? Por que tanto ódio, tanta violência? Noite de domingo, centro de Santo André, no ABC paulista. É neste local que encontramos com um grupo que não tolera qualquer tipo de convivência com homossexuais, os ´carecas´. Foram semanas tentando localizá-los, até finalmente conseguirmos um contato e negociarmos um encontro. As declarações do grupo chocam. 

Em muitos casos a homofobia é praticada dentro da própria casa. Edith Modesto é a presidente do grupo "Pais de Homossexuais". Famílias de todo o Brasil procuram a ONG para se reaproximar de seus filhos gays. A escritora resolveu ajudar depois de passar pelo mesmo problema no passado. Um caso marcante para Edith foi o do jovem Victor, que a família inteira ficou em frangalhos quando assumiu ser gay. O pai sempre foi moralista. A mãe não conseguia superar a dificuldade e tenta se matar. O pai chegou a pensar em extremos. O irmão também teve dificuldade em aceitar o Victor. Esse é um caso onde seres humanos com diferentes pontos de vista resolveram suas diferenças. Infelizmente é um caso isolado. O amor, dessa vez, superou os desafios e os preconceitos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário