No Rastro Da Intolerância
Noite em São Paulo. De um lado jovens, casais homossexuais se beijam, namoram. Do outro, a intolerância, grupos radicais. Para sentir na pele o preconceito e discriminação aos gays levamos dois atores para testar a reação das pessoas nas ruas. No centro de São Paulo, um casal de atores entra em ação. Muitos se espantam. Alguns curiosos olham e outros riem. Na região é onde se concentra o maior foco dos ataques a homossexuais. Instalamos nossas câmeras em outro ponto para registrar o preconceito das pessoas. Os atores serão xingados, agredidos, atacados. Em poucos minutos no local, os supostos homossexuais viram atração de quem passa por lá. As pessoas gritam. Algumas ameaçam, estão incomodadas. Precisamos sair do local. Os atores são surpreendidos por um ataque. Arremessam do alto uma jaca de uns 2 quilos. Por sorte, ninguém se machuca. Fica claro que, para a sociedade, o homossexualismo ainda não é totalmente aceitável.
Seguimos para Osasco, região metropolitana de São Paulo. Vamos registrar agora como as pessoas reagem diante de um suposto casal de lésbicas. Nossas atrizes estão a postos. Será o mesmo teste feito pela dupla de atores. Afinal, será que existe alguma diferença no tratamento entre homens e mulheres? As mulheres simulam uma intimidade, trocam carícias, se abraçam. Alguns acham graça. Diferentemente do casal de homens, o casal de mulheres é apenas observado por curiosos.
Novo ataque. Novas vítimas. Dessa vez, na região da Avenida Paulista, centro da capital. Madrugada do dia dois de outubro. O analista Marcos Paulo Villa, de trinta e dois anos, e o namorado Júlio César Piazza, de trinta, estavam numa casa noturna, acompanhados de duas amigas quando dois jovens se aproximaram. O casal caminhou até um posto de combustível, que fica a 300 metros da casa noturna. Neste momento, Marcos e Júlio passaram a ser agredidos pelos jovens. Em seguida, eles fugiram. Marcos e o namorado foram socorridos. O caso foi registrado como lesão corporal. Com base em imagens, gravadas pelo circuito de segurança do posto de combustível, a polícia identificou os agressores. O nome deles: William Cardoso de Lima, vinte e seis anos, e Daniel Vieira, de vinte e cinco. Procurados, os acusados preferiram manter o silêncio.
Em muitos casos a homofobia é praticada dentro da própria casa. Edith Modesto é a presidente do grupo "Pais de Homossexuais". Famílias de todo o Brasil procuram a ONG para se reaproximar de seus filhos gays. A escritora resolveu ajudar depois de passar pelo mesmo problema no passado. Um caso marcante para Edith foi o do jovem Victor, que a família inteira ficou em frangalhos quando assumiu ser gay. O pai sempre foi moralista. A mãe não conseguia superar a dificuldade e tenta se matar. O pai chegou a pensar em extremos. O irmão também teve dificuldade em aceitar o Victor. Esse é um caso onde seres humanos com diferentes pontos de vista resolveram suas diferenças. Infelizmente é um caso isolado. O amor, dessa vez, superou os desafios e os preconceitos.

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